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Amazônia boliviana em fogo lento |
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Escrito por Rede Ambiental
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Sáb, 28 de Agosto de 2010 08:50 |
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Amazônia boliviana em fogo lento Por Franz Chávez, da IPS
La Paz, Bolívia, 26/8/2010 – O fogo arrasa sem piedade extensas áreas da Amazônia boliviana, enquanto o governo reconhece incapacidade tanto para combater os incêndios, que já superam em quase 340 os registrados em 2009, como para punir os responsáveis. O endurecimento das sanções está entre as opções que o governo estuda, considerando o aumento dos incêndios provocados e castigados por uma legislação que não responde a esta emergência, informou à IPS o chefe de desmatamentos da Autoridade de Fiscalização e Controle Social de Florestas e Terras (ABT), José Luis Osinaga.
Embora os dados indiquem um aumento no número de focos de incêndios, de 1.972 em 2009 para 6.667 este ano, o maior registro de incêndios data de 2005, quando foram contabilizados 8.144, disse à IPS a chefe da Unidade de Previsão do Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia (Senamhi), Marisol Portugal.
No ano passado, a ABT abriu 300 processos administrativos contra supostos responsáveis pela queima de florestas e também foram organizados paineis de informação, disse José Luis ao ser consultado sobre as tarefas de prevenção. Nesta época do ano, os agricultores praticam o “chaqueo”, uma forma de preparar a terra para a semeadura mediante a queima de pastagens e mato, que muitas vezes fica descontrolado e é realizado em grandes extensões.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, reconheceu a falta de capacidade técnica para combater incêndios florestais e o desejo de adquirir no curto prazo equipamentos e aeronaves adequadas para enfrentar esta emergência. É provável que as punições leves diante do enorme dano ambiental gerado estimulem o “chaqueo”, admitiu José Luis. A regulamentação diz que a multa por superfície total queimada de um terreno é de US$ 0,20. Esta forma de definir a conduta contra o meio ambiente leva a confusões, segundo a autoridade.
Diante desse manejo inadequado de queima de mato, surgiu uma iniciativa parlamentar que tenta frear, por meio de sanções econômicas, os excessos e o descuido dos agricultores na hora de desmatar pelo método tradicional. Até o momento, continua em estudo o texto que modificará a sanção vigente.
As perdas não foram quantificadas, mas só o reflorestamento das áreas devastadas pode exigir cerca de US$ 200 milhões, segundo estimativas do diretor-geral de Gestão e Desenvolvimento Florestal do vice-Ministério do Meio Ambiente, Weimar Becerra. Até o dia 24, 29 dos 38 aeroportos em sete departamentos haviam suspendido operações por falta de visibilidade em uma distância mínima de cinco mil metros.
As avaliações via satélite da organização não governamental Herencia demonstram preocupação por um “desastre de maior grau” no município de Ixiamas, norte do departamento de La Paz, onde se estima que a destruição atingiu cerca de 90 mil hectares de floresta. Na cidade de Cochabamba, a 403 quilômetros de La Paz, um incêndio voraz destroi a natureza do Parque Nacional Tunari, que fica em uma montanha próxima da zona urbana.
As autoridades regionais temem que o fogo tenha começado acidentalmente, embora não seja descartada a possibilidade de uma ação de narcotraficantes que operavam fábricas clandestinas de droga.
A comunidade La Cachuela, do município El Puente, na província de Guarayos do departamento de Santa Cruz, foi declarada zona de desastre após o incêndio que destruiu 27 casas de famílias indígenas, além de floresta e plantação. Com a declaração de desastre, as autoridades municipais esperam obter alimentos e barracas do governo departamental, e uma campanha de solidariedade para reconstruir as casas.
Às margens do Rio Manuripi, no município de Puerto Rico, departamento de Pando, 1.200 hectares de floresta estão em chamas há duas semanas, segundo estimativas do diretor-executivo da Herencia, Juan Fernando Reyes, transmitidas à IPS. O governador de Pando, Luis Flores, informou que dez dos 15 municípios da região sofrem queimadas indiscriminadas, que poderiam ser atribuídas a ações de agricultores que buscam ganhar espaços para plantar.
Em 2005, foram 15 focos de incêndio e 50 mil hectares afetados na Reserva Manuripi. Presume-se que os caçadores de tartaruga de rio (petas) usam fogo para obrigá-las a sair da floresta, disse Juan Fernando. O coordenador de capacitação da não governamental Liga do Meio Ambiente (Lidema), Edwin Alvarado, disse à IPS que as causas dos incêndios florestais podem ser várias, incluindo a mudança climática, já que deixa a vegetação seca e causa escassez de água.
A zona florestal de Pando sofre enormes danos, como a destruição de castanheiras e outras espécies florestais de valor econômico como açaí (Euterpe precatória), seringueira (Hevea brasiliensis) e ubim (Geonoma sp.), além da morte de animais silvestres. “Em um nível maior, estas queimadas emitem grande quantidade de gases, contribuindo para o aquecimento global”, disse Juan Fernando.
A extinção dos incêndios florestais geralmente chega com as chuvas da última semana de agosto e começo de setembro, mas este ano é particular, porque não haverá chuva e as frentes frias serão secas, anunciou Marisol. A fumaça também dissipa com as chuvas da primavera, mas tudo indica que o processo será lento, podendo prolongar-se até outubro, segundo o Senamhi.
A densa fumaceira que cobre grande parte da Amazônia, e que chega até as regiões ocidentais, contribui para elevar a temperatura em até dois graus centígrados. Na Amazônia a média é de 36 graus. Envolverde/IPS |
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Estamos queimando o Brasil: Estado de Emergência Climática |
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Escrito por Rede Ambiental
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Sáb, 28 de Agosto de 2010 08:48 |
Estamos queimando o Brasil: Estado de Emergência Climática Por Dal Marcondes, da Envolverde |
Tem 26.500 focos de incêndios em quase todos os Estados brasileiros, Na Amazônia o Arco do Desmatamento, que vai do Pará a Rondônia é como uma flecha flamejante no coração da Amazônia. As emissoras de TV se aproveitam das imagens dramáticas de animais mortos e tufos enormes de fumaça subindo aos céus. No entanto, pouco se vai a fundo em quem são os responsáveis, a quem interessa esta sandice criminosa não apenas com a Amazônia, mas com todos os biomas brasileiros. O Cerrado também está em chamas. É preciso ir atrás dos criminosos e os expor à execração pública. Mas não, o tema é tratado quase como uma fatalidade. Um acontecimento sazonam previsível e inexorável.
O Brasil está em um Estado de Emergência Climática. Estamos emitindo milhares de toneladas de gases de efeito estufa sem nenhum controle e sem que isso sirva à sociedade brasileira. Quando ligamos uma termelétrica e emitimos CO², é ruim, mas ao menos estamos gerando eletricidade para acender lâmpadas, ligar geladeiras ou ouvir música. Mas o que ligamos ao queimar a floresta? Na verdade, desligamos. Desconectamos o bom senso, deixamos de lado os compromissos com o amanhã e passamos por cima do esforço de milhares de brasileiros e empresas que estão investindo na redução de sua “pegada de carbono”. Damos um tapa na cara das pessoas que deixam seus carros em casa e vão ao trabalho no transporte público, a pé ou de bicicleta. Desligamos o Brasil de seus compromissos internacionais de redução de emissão de gases estufa.
O que mais será preciso para que acordemos dessa letargia em berço esplêndido? Estamos em pleno processo eleitoral e não há comícios, debates, discussões acaloradas sobre o país que queremos, o modelo de desenvolvimento ou como deve ser a gestão disso ou daquilo. As pessoas se recolheram à vida privada e abandonaram os interesses públicos. As queimadas no Brasil são um escândalo ambiental tão grande ou maior do que o desastre da BP no Golfo do México. Milhões de indivíduos da flora e fauna estão morrendo. Não apenas ameaçados, mas morrendo pelo descaso de uma espécie suicida. As cidades no caminho da fumaça estão vivendo dramas humanos de fazer chorar. Crianças morrem sem conseguir respirar. Idosos que poderiam curtir netos por muito tempo estão morrendo por puro descaso não apenas dos governos, mas da sociedade brasileira com a vida.
O Brasil e sua cidadania precisam dar um basta a isso. É preciso parar de queimar o futuro não apenas do País, mas do Planeta em uma atitude absolutamente mesquinha de alguns e da incompetência de outros. Se há um momento em que o Exército deve sair dos quartéis e travar uma guerra é agora. É preciso combater o fogo onde quer que ele esteja. Não é possível continuar a assistir o fogo no Jornal Nacional e, em seguida, passar para a cotação do dólar e para o caso de amor da celebridade de plantão. Como se o incêndio que se alastra pelo País fosse apenas uma notícia de jornal.
Queimar a floresta leva a um profundo desequilíbrio do cliclo hidrológico brasileiro e nos atira em um circulo vicioso onde queima porque não chove e não chove porque queima.
É tempo de eleição. Vamos acordar e votar de forma correta, analisando o Brasil que temos e o Brasil que queremos. É tempo de indignação. Estamos queimando o Brasil. Temos de fazer protestos sobre isso, Grandes protestos que arranquem governantes e políticos de suas mesquinhas agendas eleitorais e os façam se dedicar a resolver esta emergência nacional. (Envolverde) (Agência Envolverde)
| Últimos Comentários | kATIA MARIA DE MELO (
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) Venho assistindo aos noticiários sobre as queimadas no Brasil e a sensação que tenho é exatamente o que diz a matéria, ou seja, indignação, tremor e tristeza pelo que está acontecendo em nosso pais. Vejo o dia dos candidatos e nada ouço sobre ações relativas a esse desastre ecológico. Moro em Goiás, a umidade do ar chegou ao mínimo aceitável (respirável na verdade), justamente por causa das queimadas. Por tudo isso, conclamo as pessoas a levantar essa bandeira, mostrar nossa indignação através de manifestações públicas. Afinal, precisamos da vida para viver e principalmente respirar para continuarmos vivos. | | Noemia Eggers (
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) Parabéns pelo teu artigo. Os incendiários têm que pagar pelos seus atos. É um crime ambiental absurdo! Temos que fazer algo, urgente para evitar que o fato se repita. É lamentável e como brasileira fico envergonhada. Um país tão lindo e com tanta diversidade sendo devastado por poucos inconsequentes. |
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22 projetos de reforma agrária na Amazônia serão georreferenciados |
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Escrito por Rede Ambiental
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Sáb, 28 de Agosto de 2010 08:49 |
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22 projetos de reforma agrária na Amazônia serão georreferenciados Por Redação Incra
A superintendente do Incra no Amazonas, Maria do Socorro Marques Feitosa, assinou, nesta segunda-feira (23), contratos para medicação e demarcação topográfica (georreferenciamento) em 22 projetos de reforma agrária do estado, localizados em 13 municípios amazonenses. O valor global dos contratos é de R$ 3.961.133, beneficiando diretamente 2.292 famílias de trabalhadores rurais que vivem em projetos tradicionais de assentamento, Projetos Agroextrativistas (PAE) e Projetos de Desenvolvimento Sustentáveis (PDS).
O processo licitatório foi feito por meio de pregão eletrônico e dez empresas se habilitaram ao trabalho, sendo sete do Amazonas, uma de Mato Grosso, uma de Roraima e uma de Goiás. As empresas assinaram os contratos com a Superintendência, em ato testemunhado pelos chefes de Divisões do Incra/AM, Omar Oliveira (Administração), Adriana Lima (Desenvolvimento), José Brito (Fundiária) e Ronaldo Santos (Obtenção).
Antes da assinatura dos contratos, numa conversa com os empresários vencedores do pregão, Socorro Feitosa pediu o empenho de todos para que os contratos sejam fielmente cumpridos, e garantiu que a equipe de fiscalização do Incra estará atenta em todo o processo do trabalho, que deverá ser iniciado nos próximos dias.
A superintendente lembrou ainda as dificuldades naturais da região, da importância no cumprimento dos prazos e garantiu total apoio do Incra para a realização do trabalho e recebeu dos empresários o compromisso de que todas as normas contratuais serão prontamente cumpridas, a fim de que as ações possam ser desenvolvidas sem problemas para as partes envolvidas, ou seja, o Incra e as empresas.
Os próximos passos serão as assinaturas das ordens de serviços para que as obras possam ser iniciadas. A partir daí, as empresas contratadas terão o prazo de seis meses, ou seja, 180 dias para a realização do trabalho.incra (Envolverde/Incra) |
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Banco de dados mostra impactos causados por hidrelétricas na Amazônia |
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Escrito por Rede Ambiental
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Sáb, 28 de Agosto de 2010 08:46 |
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Banco de dados mostra impactos causados por hidrelétricas na Amazônia Por Natasha Pitts, para Adital
Divulgado, na última semana, banco de dados online delineia o impacto causado por mais de 140 grandes barragens em vários estágios de planejamento na Bacia Amazônica. Objetivo é construir um espaço que una informações sobre as represas e torne os dados públicos e acessíveis.
A Bacia Amazônica, área que abrange metade de todas as florestas tropicais do mundo, está sendo invadida por centenas de grandes projetos que põem em risco a integridade biológica e a vida de parte da população mundial. Para conhecer a dimensão destes projetos e alertar governos, pesquisadores e organizações, foi divulgado, na última semana, um banco de dados online, que delineia o impacto causado por mais de 140 grandes barragens em vários estágios de planejamento na Bacia Amazônica.
A base de dados "Barragens na Amazônia" está disponível em inglês, espanhol e português e inclui informações técnicas e dados econômicos sobre alguns países amazônicos, entre eles Brasil, Equador, Bolívia, Colômbia e Peru, nações onde mais de 140 grandes barragens estão em funcionamento, em construção ou em fase de planejamento. As informações, colhidas de fontes oficiais, dão conta de que apenas na Amazônia brasileira estão previstas para os próximos anos mais de 60 grandes represas.
A iniciativa de construir um mapa informativo e interativo partiu da Fundação Proteger (Argentina) e da International Rivers (Estados Unidos), com o apoio da organização brasileira Ecoa. A intenção foi construir um espaço onde se pudesse unir um conjunto de informações sobre as represas e tornar os dados públicos e acessíveis para que as pessoas tivessem ciência sobre os empreendimentos que vêm sendo desenvolvidos na Bacia Amazônica. "Também faz parte das intenções do projeto, lincar o mapa informativo ao site de campanhas de organizações da sociedade civil que estejam se mobilizando para combater empreendimentos problemáticos", acrescentou Brent Millikan, diretor do Programa da Amazônia da International Rivers.
De acordo com Millikan, o projeto, que durou cerca de três anos para ser finalizado, entrará em nova fase e será complementado. "O mapa deve ser expandido com informações sobre áreas indígenas, unidades de conservação ambiental e linhas de transmissão de energia para mostrar quais projetos irão impactar nessas áreas de proteção. Pretendemos fazer isto imediatamente, mas dependemos da obtenção de dados. Queremos que esta etapa seja feita em rede com outras organizações".
Impactos
Os prejuízos causados pela expansão das hidrelétricas não conseguem passar despercebidos. Além de afetarem o meio ambiente, os projetos lesam diretamente as populações que vivem no entorno dos territórios que receberão a obra. No caso da Amazônia, importante ecossistema regulador do clima mundial, berço de grande biodiversidade e local onde se encontra a mais importante bacia hidrográfica, os prejuízos são ainda mais evidentes.
"Os problemas são diversos. Entre eles estão os alagamentos que afetam indígenas e ribeirinhos; os problemas de saúde pública, como a malária; as emissões do gás metano, que causa o efeito estufa; a ausência de indenizações para as famílias que perderam suas terras, a redução da quantidade de peixes e o fim das atividades que sustentam diversas populações", pontua Millikan.
As migrações também se intensificam com a chegada de grandes projetos. "Muitas famílias se deslocam de sua região em busca de emprego, mas acabam não conseguindo e intensificando, nas cidades para onde vão, problemas de moradia, saúde, educação e prostituição. Estes projetos fazem muito pouco pela estrutura do Estado", revela o diretor do Programa da Amazônia.
Para Millikan, não há receita para solucionar a questão das hidrelétricas, nem seria possível ou desejável parar as construções, já que os interesses políticos vêm se sobrepondo aos interesses públicos. "É preciso partir da educação e gerar debates sobre a política energética. Precisamos questionar que tipo de desenvolvimento queremos para o século XXI, debater sobre novas fontes de energia e envolver toda a sociedade neste debate", encerra. O mapa interativo, em espanhol, pode ser visualizado em http://www.dams-info.org/es
O mapa interativo, em português, pode ser visualizado em http://www.dams-info.org/pt
Foto
Crédito: Marcus Aurélio Barros Junior. (Envolverde/Adital) |
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