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Rede Ambiental
MMA e MCT anunciam nova queda no desmatamento PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rede Ambiental   
Ter, 10 de Agosto de 2010 10:50
MMA e MCT anunciam nova queda no desmatamento

Por Redação MMA

Os novos dados do Sistema Detecção do Desmatamento em Tempo Real - Deter, do Inpe, revelam que o desmatamento na Amazônia voltou a diminuir, confirmando a tendência de queda dos últimos doze meses. A ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, e o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, divulgam e comentam os números de junho em entrevista coletiva.


Quando: Segunda-feira, 9 de agosto, 11h

Onde: Sala Multimídia do Ministério do Meio Ambiente, Esplanada dos Ministérios, Bloco B, Sala Multimídia, 5° andar, Brasília-DF

 


(Envolverde/MMA)
 
Arthur Virgílio elogia uso de técnicas de manejo sustentável na Amazônia PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rede Ambiental   
Ter, 10 de Agosto de 2010 10:49
Arthur Virgílio elogia uso de técnicas de manejo sustentável na Amazônia

Por Redação Amazônia.org.br

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) elogiou, em discurso nesta quinta-feira (5), estudo da pesquisadora Elisa Wandelli da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Amazônia Ocidental com o objetivo de desenvolver técnicas de manejo sustentável dos recursos naturais da região.

Arthur Virgílio citou reportagem publicada pelo jornal Estado do Amazonas, sobre experiências realizadas na agricultura da região com base nessas novas técnicas, destacando a prática de adubação com matéria orgânica.

A adoção de tais técnicas de adubação orgânica, de acordo com o parlamentar, resulta em ganhos de produtividade dos frutos nativos, como é o caso da castanha do Pará, ao permitir que os agricultores recebam instruções para o aproveitamento da espécie sem risco de contaminação.

Arthur Virgílio mencionou ainda experimentos realizados na região do Médio Juruá, visando ao aproveitamento de óleo vegetal na produção de energia elétrica e também à produção de óleo de andiroba para a fabricação de cosméticos.

Fiscais agropecuários

No mesmo pronunciamento, Arthur Virgílio manifestou apoio a pleito de representantes do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários, solicitando a transformação de sua remuneração em subsídio.  Essa medida, segundo os fiscais, poderia contribuir para melhorar o desempenho desses servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, além de tornar a carreira mais atrativa para profissionais qualificados em futuros processos seletivos.

Em apartes, os senadores José Bezerra (DEM-RN) e Serys Slhessarenko (PT-MT) manifestaram apoio ao pronunciamento de Arthur Virgílio.

 


(Envolverde/Amazônia.org.br)

 

 
A impotência ambientalista mora na Amazônia PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rede Ambiental   
Ter, 10 de Agosto de 2010 10:39
A impotência ambientalista mora na Amazônia

Por Mario Osava, da IPS

Altamira, Brasil, 6/8/2010 – “É um fato consumado”, admitiu André Villas-Boas, coordenador do independente Instituto Socioambiental, resignado pelo fato de as medidas judiciais e os protestos não impedirem a construção da hidrelétrica de Belo Monte, na Amazônia brasileira. As batalhas perdidas contra milionários projetos prejudiciais ao meio ambiente, às comunidades indígenas e a outras populações locais não desmobilizam os ativistas. Mas os levam a questionar os mecanismos de decisão, especialmente na área energética.

No Brasil, o estudo de impacto ambiental (EIA) é exigido desde 1986 para projetos com potenciais graves efeitos para a natureza e a população, e adquiriu status constitucional em 1988. Assim, o objetivo é evitar a repetição de casos desastrosos como o da hidrelétrica de Balbina, no Amazonas. Sua represa inundou 2.600 quilômetros quadrados de floresta amazônica para gerar pouca energia e muita emissão de gases-estufa. Porém, com o passar do tempo, aquele avanço se tornou insatisfatório, segundo os movimentos ambientalistas e sociais, porque em raríssimas ocasiões o EIA se traduziu na proibição de um projeto. Em geral, a autoridade ambiental aprova os projetos, com a imposição de condições que não passam da mitigação e compensação, na maioria das vezes de cunho assistencial e alheias ao dano causado.

O EIA de Belo Monte incorreu em “ilegalidades”, ao omitir impactos de partes do projeto, como as eclusas e o aprofundamento do Rio Xingu águas abaixo, em um trecho de 50 quilômetros de hidrovia, disse o biólogo Hermes de Medeiros, professor da Universidade Federal do Pará e um dos 40 pesquisadores sobre as falhas do estudo. O projeto de Belo Monte, no Estado do Pará, está planejado para entrar em operação em 2015 e ser a terceira hidrelétrica do mundo, atrás de Itaipu e Três Gargantas, na China. O EIA tem um pecado original: é responsabilidade do dono do projeto, embora deva contratar uma empresa especializada.

Belo Monte é um aproveitamento hidrelétrico do Rio Xingu, projetado por 35 anos pela estatal brasileira Eletronorte, que contratou para fazer o EIA a empresa Leme Engenharia, uma das maiores consultoras da América Latina em energia. Pertence ao grupo belga Tractebel, parte do conglomerado de origem francesa GDF Suez, ambos com grandes negócios energéticos no Brasil. A GDF Suez é sócia da Jirau, uma grande hidrelétrica em construção no Rio Madeira, na Amazônia, e tinha um interesse, não concretizado, em se associar a Belo Monte.

Essa “promiscuidade” entre as empresas que elaboram o EIA e as que demandam a avaliação tira credibilidade do processo, afirmaram André e Hermes, em uma crítica aprofundada após o caso Belo Monte. Também a licença ambiental, concedida pelas autoridades do setor com base no EIA, tem sua validade e eficácia questionada, por ser precisamente o governo o principal interessado em impulsionar projetos como as hidrelétricas amazônicas. A submissão da proteção ambiental aos interesses econômicos e políticos do governo ficou evidente com o projeto de Belo Monte.

O Executivo usou todas as medidas ao seu alcance para concretizar a mais potente central da Amazônia, prioritária dentro do Programa de Aceleração do Crescimento, impulsionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ex-ministra de Energia e candidata à sua sucessão, Dilma Rousseff. Três empresas estatais de geração elétrica e fundos públicos de pensão foram instados a formar um consórcio para participar – e ganhar – na licitação do projeto.

O estatal Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiará 80% do empreendimento, e a hidrelétrica terá controle privado formal, para facilitar sua gestão. Só “a mão forte do governo em ação permanente” tornará possível essa central, reconheceu Mauricio Tolmasquin, presidente da Empresa de Pesquisa Energética, órgão governamental de planejamento do setor. À oposição ambientalista, indígena e de ativistas sociais somaram-se nestes casos as críticas dos empresários e especialistas em energia que duvidam da viabilidade econômica de Belo Monte.

Esses especialistas estimam que seu custo superará em 60% seu orçamento de US$ 10,8 bilhões, e que a central vai gerar apenas 40% de sua capacidade instalada, devido ao baixo fluxo do Rio Xingu durante a estação seca. Para remover os obstáculos, o governo não duvidou em interferir no Poder Judiciário, teoricamente independente. O juiz Antonio Carlos Campelo foi afastado do caso por uma reforma judicial no Pará, depois que em abril tentou suspender por três vezes a licitação de Belo Monte, com sentenças anuladas por um tribunal de Brasília.

Em junho, essa reforma tirou a jurisdição dos temas ambientais e agrários de Altamira, o município mais diretamente afetado pelo projeto, e a passou para um juizado criado em Belém capital do Estado. Além disso, a Advocacia Geral da União ameaçou processar judicialmente os promotores que obstruíam os trâmites do projeto. O Ministério Público reagiu reafirmando sua independência e sua defesa das leis, mas a pressão estava feita.

Antes, em fevereiro, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) foi compelido a acelerar a aprovação do projeto, com o silenciamento de técnicos contrários ao projeto e a provocada renúncia de dois diretores responsáveis pelo caso desde o final de 2009. O próprio Ibama foi abruptamente dividido em dois institutos, em 2007, em resposta a pressões governamentais e empresariais para autorizar a construção de duas hidrelétricas no Rio Madeira.

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva promoveu essa reestruturação e renunciou 11 meses depois, pela “resistência” de setores do governo à sua política ambiental, e agora é candidata presidencial pelo Partido Verde (PV). Por outro lado, o governo tenta obter apoio entre a população local para o projeto. Anunciou investimentos recordes nos municípios afetados, reassentamento de famílias desalojadas e pavimentação da Transamazônica, chave para a ligação com o resto do país, intransitável na época de chuvas.

As promessas dividiram os indígenas, lamentou José Carlos Arara, líder do grupo Arara que rechaça terminantemente a hidrelétrica, porque desviará parte das águas do Xingu, reduzindo o fluxo hídrico no trecho onde vive, a Volta Grande do Xingu, deteriorando sua forma de vida, baseado na pesca e no transporte fluvial. “Muito dependentes do Estado” e de suas medidas assistencialistas, alguns indígenas “não conseguem encarar o mundo sem o Estado”, admitiu André. Boa parte da população urbana de Altamira apoia o projeto porque permitirá recuperar os empregos perdidos pelo fechamento da atividade madeireira local, devido à crescente repressão das autoridades ambientais ao desmatamento.

Marinaldo Rodrigues tropeçou com a nova realidade antes que esta fosse um fato conhecido. A serraria onde trabalhou oito anos foi fechada por ser ilegal, em 2002. O começo da repressão da indústria madeireira local costuma ser identificado com o assassinato da freira norte-americana Dorothy Stang, em 2005, em uma população próxima de Altamira. Entretanto, Marinaldo explicou à IPS que começou a se intensificar antes. Desde então as autoridades ambientais fecharam dez das 12 serrarias que processavam madeira em Altamira. Por isso, cerca de cinco mil pessoas ficaram desempregadas, duro golpe em um município de cem mil habitantes e com escassas fontes trabalhistas formais. A maioria “se acertou” com trabalhos eventuais na área da pesca e agricultura, contou.

A empresa onde trabalhou conseguiu reabrir, mas ele decidiu mudar de rumo. Capacitou-se como condutor de grandes tratores para terraplanagens, e trabalhou em quatro empresas. Agora, com 37 anos e dois filhos, voltou a ficar desempregado, mas espera obter trabalho na recém-iniciada pavimentação da Transamazônica. E como é especialista em grandes máquinas, espera ter trabalho assegurado na quantidade de terra e rochas a serem removidas quando começar a construção de Belo Monte, que vai incluir duas grandes represas e dois canais equivalentes ao do Panamá.

Por tudo isso, é natural que Marinaldo apoie o projeto, apesar de ter sua casa inundada pelas represadas águas do Rio Xingu, como as de todos os seus vizinhos da parte baixa de Altamira. Envolverde/IPS

FOTO
Crédito:
Mario Osava/IPS
Legenda: Serraria fechada em Altamira, ao lado da quase intransitável estrada Transamazônica.

 


(IPS/Envolverde)
 
Depois da expulsão, a denúncia PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rede Ambiental   
Ter, 10 de Agosto de 2010 10:48
Depois da expulsão, a denúncia

Por Redação Greenpeace

Ministério Público Federal de Mato Grosso denuncia fazendeiros e políticos de Juína que, há três anos, encurralaram membros do Greenpeace na cidade.

“Não vamos deixar vocês entrarem na área, pode vir a polícia. Nós vamos fazer a guerrilha”. Foi em agosto de 2007 que o então prefeito de Juína, no Mato Grosso, disse as palavras acima. Reunido com outros políticos, empresários e fazendeiros do município, Hilton Campos intimidou ativistas do Greenpeace, dois jornalistas franceses e membros da organização indigenista Operação Amazônia Nativa (Opan), privando-os de seu direito de ir e vir na cidade. Agora, três anos depois de investigar o caso, o Ministério Público Federal entrou com denúncia contra Campos e companhia, acusando-os de seqüestro, cárcere privado e constrangimento ilegal.

Foram horas sem poder se locomover. O grupo havia aterrissado em Juína para registrar áreas recém-desmatadas na região e documentar a vida do povo indígena Enawene-Nawe.

A relação entre os índios e os produtores rurais da região estava estremecida. Os Enawene-Nawe reivindicavam a demarcação de uma área de pesca, essencial nos seus rituais sagrados e na sua alimentação. O território, porém, estava sendo disputado com fazendeiros, que empurravam para lá sua produção agrícola.

Ao saber da presença das organizações, os fazendeiros reuniram cerca de 100 pessoas e abordaram integrantes do Greenpeace e da Opan no hotel onde estavam hospedados. Eles temiam que o grupo estivesse ali para ajudar no processo de demarcacão da terra. As ofensas e ameaças só terminaram no dia seguinte de manhã, e a viagem à terra indígena teve de ser cancelada. “Ao mesmo tempo em que o governo celebra e assume o mérito pela queda das taxas de desmatamento na Amazônia, o episódio em Juína mostra que sua presença ou é rala ou ainda está muito longe daqui”, disse, à época, o coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace, Paulo Adario.

Depois de passar horas no hotel sem poder sair nem mesmo para comer, o grupo de nove pessoas foi seguido até o aeroporto por mais de 20 caminhonetes de fazendeiros, que ameaçaram incendiar o avião caso ele não decolasse imediatamente. O episódio também foi considerado pelos procuradores do MPF um verdadeiro processo de expulsão.

Na denúncia, o órgão ainda denuncia o desacato de alguns empresários em relação a funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai). Dezenas de pessoas invadiram o escritório da Funai para dizer que Juína não era lugar para índios, e ameaçaram dois servidores de morte, exigindo que dessem fim à demarcação de terras indígenas na região.

Os procuradores da República responsáveis pelo caso, Douglas Santos Araújo e Mário Lúcio de Avelar, observam que casos como esse não são raros. “A violência praticada contra os povos indígenas vem se tornando cada vez mais recorrente e tem como pano de fundo sempre a mesma problemática, que é a disputa de terras”, disseram, em nota.

O MPF pede a condenação de Aderbal Bento, Geraldo Bento, Natalino Lopes dos Santos, Hilton Campos, Paulo Perfeito e Francisco de Assis Pedroso por constrangimento ilegal, sequestro e cárcere privado. O órgão quer ainda que Paulo Perfeito e Aderbal Bento também sejam condenados por desacatarem os funcionários públicos da Funai.

Foto

Crédito:
Paulo Adario, coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace, escoltado por policiais em Juína.

 


(Envolverde/Greenpeace)
 
Amazônia azul PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rede Ambiental   
Seg, 02 de Agosto de 2010 09:08
Amazônia azul

Por Fábio Reynol, da Agência Fapesp

Agência FAPESP – A química de produtos naturais extraídos do mar é recente em todo o planeta. Iniciada na década de 1960, essa área de investigação começa agora a despontar no Brasil, país que guarda gigantesca biodiversidade em suas águas oceânicas, a ponto de receberem o apelido de “Amazônia azul”.

Foi o que apresentou Vanderlan da Silva Bolzani, professora titular do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro da coordenação do Projeto Biota-FAPESP, em conferência na 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que está sendo realizada em Natal (RN) e segue até sexta-feira (30/7).

Segundo ela, a pesquisa de substâncias químicas oriundas do mar apresenta defasagem em relação à bioprospecção de elementos retirados de biomas terrestres.

Iniciada na década de 1960, a química de produtos naturais marinhos começou a isolar metabólitos secundários na década seguinte, diversificando as substâncias extraídas com o aprimoramento de tecnologias.

Para Vanderlan, o Brasil começa somente agora a formar uma quantidade de pesquisadores mínima para começar a responder à demanda nacional do setor. “Novas gerações de cientistas vêm expandindo as áreas de pesquisa e incluindo o mar”, observou.

Isso é importante, segundo ela, porque o país está muito atrás nesse conhecimento com relação a Japão, Estados Unidos, Chile, Canadá e Itália. Em um levantamento publicado por John Blunt, da Universidade Canterbury, na Nova Zelândia, o Brasil nem sequer aparece entre os países que apresentam atividades de pesquisa marinha.

“O número de pesquisadores é tão pequeno que desapareceu quando ele aplicou o desvio padrão. É como se não participássemos da pesquisa de marinhos do mundo”, disse Vanderlan.

A pesquisadora defende a abertura de oportunidades e de incentivos para que novos talentos ingressem nessa área de pesquisa. “Após dez anos de programa, nós do Biota-FAPESP percebemos que não bastava fazer renascer o verde. Precisamos também salvar o azul dos oceanos”, afirmou.

Por conta dessa deficiência, o programa lançou chamada de propostas, que anunciou os projetos apoiados na semana passada. A chamada busca promover o avanço do conhecimento em áreas relacionadas à biodiversidade do ambiente marinho.

“A SBPC foi muito feliz ao pensar no mar logo após a reunião [do ano passado] que tratou da Amazônia, pois são patrimônios importantes para o país que devem ser preservados”, afirmou.

“Além do conhecimento, a ciência poderia trazer desenvolvimento econômico e social tanto para a população amazônica como para aquelas que habitam o litoral brasileiro. Na reunião de Manaus, afirmei que o extrativismo não havia levado riqueza à Amazônia, mas a pesquisa em moléculas de alto valor agregado poderia cumprir essa função. O mesmo pode ocorrer com o mar”, disse.

O Brasil teria vocação, segundo Vanderlan, para avançar ainda mais longe no mar e participar do grupo de países que começam a explorar os ambientes marinhos extremos, marcados por condições severas de temperatura, pressão e outros fatores.

“A química encontrada nesses ambientes é diferenciada e muito mais diversificada, pois a natureza é obrigada a responder quimicamente aos imensos estresses impostos pelo ambiente”, disse, enquanto apresentava o mapa mundial dos chamados hot spots oceânicos desses extremos.

Entre as conquistas da química vinda do mar, a professora da Unesp salientou um peptídeo extraído do caramujo marinho Conus magus, que deu origem ao medicamento Prialt, considerado uma alternativa à morfina, analgésico utilizado há cerca de dois séculos no tratamento de dores crônicas.

Preservar o azul

Como os biomas terrestres, os marinhos também precisam ser explorados de maneira sustentável para que não sejam degradados. Vanderlan comparou o mar brasileiro ao Cerrado, bioma em boa parte degradado antes que a ciência descobrisse sua complexidade molecular.

O desenvolvimento da ecologia marinha, a criação de redes colaborativas internacionais, a aproximação com o setor industrial e a realização de encontros entre especialistas foram algumas sugestões da cientista para a consolidação do conhecimento dos mares.

A instalação de centros de pesquisa ao longo da costa brasileira também seria importante, segundo Vanderlan, para que fossem contempladas as diferentes características do mar do Brasil.

“Realizamos reuniões de altíssimo nível em São Paulo que podem ajudar muito, especialmente para aumentar os contatos entre pesquisadores”, disse, convidando os interessados para o primeiro Workshop de Biologia Marinha do Biota-FAPESP, que será realizado nos dias 9 e 10 de setembro na sede da Fundação.

As reuniões e as redes internacionais são, segundo Vanderlan, excelentes auxílios na formação de recursos humanos em ciências marinhas. Segundo ela, a investigação sobre o mar beneficiará o país não somente por gerar novos produtos químicos, mas também porque irá aumentar o conhecimento básico sobre o mar, que ainda é pequeno.

“A química de produtos naturais brasileiros ainda é tradicional e conservadora, precisamos pesquisar novos ambientes e o mar é um excelente laboratório”, destacou.

 


(Envolverde/Agência Fapesp)
 
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