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Rede Ambiental
Um olha do espaço. O outro, do ar PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rede Ambiental   
Qui, 02 de Setembro de 2010 09:21
Um olha do espaço. O outro, do ar

Por Redação Greenpeace

Imazon solta novos dados do SAD, que serão confirmados no campo através de sobrevoos do Greenpeace. Parceria aperfeiçoa monitoramento da Amazônia.

Depois de mais um mês inteiro debruçado sobre mapas, imagens de satélite e equações matemáticas, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou hoje os novos números do SAD, o Sistema de Alerta de Desmatamento, que monitora de forma independente a derrubada e a degradação da floresta. Agora, quem se apoia sobre os dados é o Greenpeace, que vai sobrevoar algumas áreas para conferir se os satélites estavam certos ao apontar mais de 300 quilômetros quadrados de derrubadas na Amazônia no último mês de julho.

A parceria entre as duas organizações promete refinar ainda mais o monitoramento da floresta amazônica. Em setembro, o Greenpeace fará o terceiro sobrevoo de verificação dos dados do SAD. A previsão é que ela ocorra a cada dois meses, mas que seja intensificada nos períodos em que o desmatamento dispara.

Para dar conta do recado, a organização construiu uma metodologia própria. Baseado em alguns critérios, como concentração dos pontos de derrubadas, áreas protegidas e autonomia do avião, são selecionadas cerca de 10% das áreas apontadas pelo SAD para amostragem.

Uma equipe de técnicos em geoprocessamento foi treinada especialmente para essa missão. Em maio de 2010, eles decolaram com GPS, fotógrafo e mapas do Imazon para confirmação de 108 polígonos de desmatamento e degradação indicados pelo sistema, entre os meses de janeiro e março deste ano. O sobrevôo indicou que 93% dos alertas estavam certos.

“Essa verificação é fundamental para sistemas de monitoramento como o SAD, pois as informações são baseadas em interpretação de imagens de satélite”, explica Edwin Keizer, coordenador do laboratório de Geoprocessamento (LabGeo) do Greenpeace. “Os dados reais, de campo, são complementares e confirmam se os alertas são verdadeiros.”

Em se tratando de Amazônia, porém, a função não é simples. Além da imensa extensão das áreas sobrevoadas, a verificação fica prejudicada em tempo de seca e queimadas. Nas últimas semanas, a fumaça resultante de incêndios para limpeza de terreno tornou os sobrevoos arriscados e impediu que alguns pontos fossem confirmados no sul do Amazonas, sudoeste do Pará e norte de Rondônia. “As condições de vôo são precárias. A visibilidade está muito reduzida”, avisava o piloto, pelo rádio.

Dificuldades à parte, a missão segue em frente. Além de tornar mais precisos os dados sobre a Amazônia, a ideia é que, aos poucos, esse monitoramento se torne mais abrangente e envolva mais atores. “O Greenpeace está na Amazônia, conhece a realidade da região e tem parceiros locais. Aos poucos, pretendemos envolver associações e pessoas daqui, formando uma rede de parceiros que vai tornar esse monitoramento ainda mais transparente”, diz Keizer.

Usado como alerta para os órgãos de fiscalização e a sociedade civil, o SAD cumpre função semelhante ao do Deter, o sistema de detecção de desmatamento em tempo real do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os alertas, porém, estão cada vez mais difíceis de serem emitidos, já que a dinâmica do desmatamento mudou de alguns anos para cá. Hoje, quase 60% das derrubadas são menores do que 25 hectares, área mínima que os dois sistemas conseguem enxergar.

Daí a importância de se ter cada vez mais olhos voltados para o solo. “Uma pessoa que more numa região remota da Amazônia talvez não entenda de mapas, mas pode ser um importante agente para denunciar um desmatamento que está acontecendo ali, ao seu lado”, afirma o coordenador do LabGeo do Greenpeace. “É essa associação que vai tornar o monitoramento mais eficaz daqui para frente: um olho na tecnologia e outro no ‘mundo real’".


Foto

Legenda:
Alerta confirmado: polígono de desmatamento em Novo Aripuanã, sul do Amazonas, registrado em sobrevoo.

Crédito: Greenpeace/Bruno Kelly

 
Municípios da Amazônia Legal terão ajuda para regularização ambiental PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rede Ambiental   
Qui, 02 de Setembro de 2010 09:19
Municípios da Amazônia Legal terão ajuda para regularização ambiental

Por Ana Flora Caminha, do MMA

Cinco municípios da Amazônia Legal, considerados prioritários no combate ao desmatamento, oficializaram nesta segunda-feira (30/8), em Brasília, a parceria com o Ministério do Meio Ambiente para implementar o Projeto de Assistência Técnica para realização de Cadastro Ambiental Rural (CAR). As cidades escolhidas são Feliz Natal, Brasnorte e Juína, no estado do Mato Grosso, e Santana do Araguaia e Marabá, no estado do Pará. Estes municípios fazem parte da lista de 42 municípios que mais desmatam na região amazônica.

O projeto-piloto, que poderá ser ampliado a outros municípios e estados da Amazônia brasileira, será executado até julho de 2011, com recursos de doação do Banco Mundial - 3,5 milhões de dólares e contrapartida de 3 milhões de dólares do Brasil - e parceria da The Nature Conservancy do Brasil para sua execução. Com os recursos disponibilizados, "os custos individuais para a regularização ambiental das propriedades rurais, que estão entre R$ 0,30 e R$ 1,00 por hectare, serão reduzidos", explicou Mauro Pires, diretor do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento.

Com imagens de satélite, será montada uma base cartográfica das propriedades, com mapeamento do uso do solo. "Em síntese, o CAR apresenta o estado ambiental da propriedade, o quanto existe de área de preservação permanente, de reserva legal, de área degradada, área produtiva e área de desmatamento", disse Mauro Pires. O objetivo do projeto é que estabelecimentos rurais estejam em conformidade com a legislação ambiental e que os órgãos estaduais de meio ambiente possuam a informação técnica necessária para monitoramento e controle ambiental de imóveis rurais, com as informações do CAR inseridas no Sistema Integrado de Monitoramento e Licenciamento Ambiental (Simlam).

 


(Envolverde/MMA)
 
Amazônia sobre rodas: oportunidade para o conhecimento sustentável PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rede Ambiental   
Qui, 02 de Setembro de 2010 09:14

Amazônia sobre rodas: oportunidade para o conhecimento sustentável

Por Rodrigo Stábeli*

Dois importantes acessos rodoviários do plano de desenvolvimento estratégico econômico do Brasil apontam para a chegada ao Pacífico e ao Caribe pelas rodovias federais 364 e 319 (BR 364 e 319). Essas vias ligarão Rondônia ao Centro-Sul do país, ao Acre e a Manaus (AM), e, a partir destes, aos portos comerciais peruanos e países do Caribe.

Antes do início do Século 20, a causa de uma doença era considerada uma condição natural. Atualmente, modernos conceitos mostram que a causa de uma doença pode ser explicada associando-se as condições sociais do indivíduo ou de uma população específica com o nível de degradação socioambiental. Os grandes surtos epidêmicos narrados pela recente história mundial corroboram os conceitos modernos de causa de doença. A epidemia de tuberculose ocorrida nas condições insalubres das indústrias e a alta taxa de mortalidade ocasionada pela cólera, que assolou Londres na era da revolução industrial, são exemplos de doenças ligadas a modificações desordenadas do meio ambiente pelo homem.

No Brasil, início do Século 20, pôde-se acompanhar a implantação de metodologias sanitárias audaciosas por Oswaldo Cruz, então Diretor Geral de Saúde Pública da República, para o combate à febre amarela, após sua urbanização na cidade de Rio de Janeiro. "Uma boa explicação para o avanço da febre amarela é a situação caótica de saneamento básico na capital do país" (Azevedo Pimentel, final do Século 19). No Estado de Rondônia, também podemos alinhar a história de surtos epidêmicos da malária com os diversos planos de desenvolvimento econômico do país e, consequentemente, com a construção do estado. Os primeiros surtos começaram com os movimentos migratórios significativos para a região, provocados pelos altos preços da borracha, como demanda de oferta de matéria prima para os países industrializados da época.

Visando agilizar a exportação da borracha, foi realizado um acordo entre Brasil e Bolívia. Um dos compromissos foi a construção de uma ferrovia que ligaria os pontos produtores de borracha com seu escoamento - de Guajará Mirim, na fronteira Brasil-Bolívia, às margens do Rio Mamoré, a Porto Velho, no Rio Madeira. A famosa ferrovia Madeira-Mamoré, ou por muitos denominada "ferrovia do diabo". Para a construção desta ferrovia, o governo imperial brasileiro convidou vários empreiteiros do país e da Europa para desenvolver a obra, que deveria fazer acesso direto a mais de 360 km de floresta amazônica. Entretanto, esta obra jamais foi finalizada. Sobretudo por causa de surtos epidêmicos de malária, febre amarela e outras infecções desconhecidas. A entrada desordenada do homem no ambiente florestal desconhecido causou morbidades e mortalidades dramáticas entre os trabalhadores recrutados para a grande obra.

Na era pós-República, surgiu uma nova investida pelo governo brasileiro, motivado pelo empresário Percival Farquhar, o qual proporcionou a migração de milhares de trabalhadores de outros países, além de emigrantes brasileiros. Nos dez anos de investida na construção, foram relatadas mais de dez mil mortes causadas essencialmente pela malária, impulsionando a frase "um cadáver para cada dormente". Na segunda metade do Século 20, o projeto de Integração Nacional do Governo Médici motivou um grande processo migracional para áreas periféricas do país.  No entanto, as más condições de instalação dos migrantes, as intervenções desordenadas na floresta, a abertura de estradas sem planejamento técnico e a falta de infra-estrutura sanitária fizeram com que os índices de malária em Rondônia ficassem alarmantes. Foram notificados mais de 300 mil casos/ano, intitulando o estado como capital mundial da malária. Obviamente, a falta de qualificação e equipamentos de diagnósticos na época fez com que os surtos febris fossem todos tratados como malária clínica, mascarando os dados de novas doenças emergidas no contexto epidemiológico histórico deste processo de desenvolvimento e ocupação da Amazônia.

Frente aos fatos narrados devemos nos perguntar: O que há em comum nos surtos epidêmicos citados acima? A resposta é bastante simples: todos foram originados pela modificação do meio ambiente sem planejamento técnico adequado. A intervenção no meio ambiente de forma não sustentada é o grande vilão da emergência de surtos epidêmicos.

O acesso à Floresta Amazônica através de obras de grande impacto ambiental - como a construção das hidroelétricas do Rio Madeira e a abertura das estradas do Pacífico e Caribe - deve ser observado de forma racional e científica. A preservação do meio ambiente e sua biodiversidade é um discurso comum na elaboração das ações realizadas dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No entanto, os processos técnicos científicos ligados a tal preservação deixam a desejar. Principalmente aqueles ligados à vigilância epidemiológica de fronteira, mesmo quando a história insiste em nos alertar. "Primeiro inimigo a abater: a febre amarela, com o seu vômito negro e mortal. Tenho, portanto, que liquidar o Stegomia fasciata, o mosquito raiado que, ao picar os homens, neles inocula o gérmen da doença. E isso só se consegue eliminando as águas estagnadas onde proliferam as larvas e as ninfas dos mosquitos raiados." (Cartas de Oswaldo Cruz).

A BR-319 foi construída na década de 70 do século passado e desativada em 1988. A recuperação desta rodovia poderá incentivar uma migração desordenada, deslocando-se o Arco de Desmatamento já presente em Rondônia para uma das áreas mais conservadas da Floresta Amazônica Central, gerando uma depreciação exaustiva de sua biodiversidade e impulsionando surtos epidêmicos de doenças emergentes e reemergentes.

A cada ano são mais de 400 milhões de pessoas infectadas por malária e a Região Amazônica concentra 90% das novas infecções. Os estados brasileiros que acumulam os maiores índices de malária são aqueles que possuem a maior degradação ambiental, sendo Rondônia e a periferia de Manaus as áreas mais atingidas atualmente. Ou seja, é necessário saneamento básico e serviço de atendimento de saúde voltado para cada microrregião amazônica atingida pelas grandes obras. O perímetro dos poucos 400 km da BR-319 que separará Porto Velho de Manaus terá uma complexidade de diversos biomas e populações, fazendo com que as metodologias de preservação e atenção à saúde e vigilância se tornem ainda mais complexas. Isso exigirá que sejam modeladas segundo necessidades particularizadas pelas microrregiões.

Já é consenso mundial que a Floresta Amazônica acumula a maior biodiversidade do Planeta e, assim, não seria espanto a emergência de febres hemorrágicas mais importantes do que a causada pelo vírus Ebola ou Arena vírus, por exemplo. Mas existem notificações de doenças emergentes na Amazônia? Sim. Recentemente, o INPA detectou pela primeira vez no Brasil a mansonelose ao longo das margens do Rio Içanã. O verme Mansonella sp. estava restrito à Colômbia e Venezuela, e possivelmente entrou na Amazônia brasileira através do contato populacional de fronteira. A maior prevalência de infectados é encontrada na fronteira e vem diluindo para o interior amazônico pela bacia do Rio Negro.

A Doença de Carrión (bartonelose) ainda é bastante desconhecida pois, outrora, era confinada às grandes altitudes da cordilheira dos Andes. Atualmente estão sendo descritos casos de bartonelose a altitudes inferiores a 150 metros de altura, em cidades fronteiriças com a Amazônia brasileira e boliviana. Ainda, a região Noroeste brasileira concentra uma cepa viral de hepatite denominada tipo Delta (D). A hepatite D possui quadros clínicos particulares e um complexo tratamento, que por muitas vezes apenas retarda o efeito cronificante da doença.  O acesso e o trânsito de populações para esta região sem políticas de saúde pública de fronteira e inovação do conhecimento poderão causar o espalhamento da cepa para o país ou até mesmo ao longo da estrada do Pacífico e Caribe.

A facilidade de acesso de mais de 1.000 km2 por via terrestre, por mais bem planejada, ocasionará uma degradação ambiental inerente e um fluxo migratório importante. Estes fenômenos exigem obrigatoriamente a implantação de um sistema de vigilância que possa gerar informações precoces e mecanismos de contenção epidemiológica, associado a serviços de saúde de referência. A cidade de Porto Velho será ponto de confluência entre o Caribe e Pacífico ao Centro-Sul de nosso país e, por isso, é estratégica para a criação de um polo de investigação científica nestas áreas. No entanto, ainda apresenta baixo incentivo de investimento em ciência e saúde pelo governo federal e local.

Gerar conhecimentos científicos em saúde para a redução das iniquidades sociais da Região Noroeste tornou-se a missão do Instituto de Pesquisas em Patologias Tropicais de Rondônia (IPEPATRO), após sua incorporação pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), em 2009.

Os estudos já realizados pelo IPEPATRO/FIOCRUZ do Noroeste já confirmaram que a ocupação da floresta deve ser pautada em mecanismos complexos de sanitarismo e vigilância sanitária particulares para cada microrregião. Ou seja, um procedimento sanitário não pode ser considerado padrão para a Amazônia como um todo. É preciso considerar cada microambiente amazônico atingido e sua relação com o processo migracional de populações humanas e não humanas.

Assim, o processo de desenvolvimento centrado na Amazônia sobre rodas, com a abertura ao Pacífico e ao Caribe, certamente, em um futuro bem próximo, poderá nos garantir pelo menos dois fenômenos antagônicos importantes: 1) o extraordinário acesso para o conhecimento científico e o uso racional e sustentável da mais rica diversidade mundial ou; 2) a maior degradação ambiental já registrada em nosso planeta. Com qual destes fenômenos queremos contribuir?

*Rodrigo Stábeli é professor do Departamento de Medicina da Universidade Federal de Rondônia e Diretor-Executivo da FIOCRUZ Noroeste do Brasil.

**Este texto é parte integrante da Revista Eco 21, edição 165, de julho de 2010, em circulação nas bancas - http://www.eco21.com.br/


(Envolverde/Revista Eco 21)
 
Plantas medicinais da Amazônia para todos PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rede Ambiental   
Qui, 02 de Setembro de 2010 09:16
Plantas medicinais da Amazônia para todos

Por Vanessa Brasil, do MuseuEmílio Goeldi

Publicação do Goeldi coloca ao alcance do público resultados de discussões com cientistas e experiência acumulada sobre as plantas de uso medicinal região Amazônica.

Agência Museu Goeldi - Fruto de extensa pesquisa e experiência botânica produzida por mais de 30 anos, a terceira edição do livro Plantas Medicinais na Amazônia apresenta informações científicas e da cultura popular colhidos pela pesquisadora do Museu Goeldi, Maria Elisabeth van den Berg. Com ilustrações e tabelas, a publicação expõe nomenclaturas, descrições e usos de 31 famílias botânicas que contem espécies medicinais, visando oferecer uma base de dados científicos confiáveis para o incremento de pesquisas na área.

Ao longo das suas 266 páginas, o livro busca resgatar e sistematizar cerca de 365 espécies vegetais conhecidas e utilizadas na Amazônia, com a preocupação de mostrar o seu lugar dentro dos grupos taxonômicos, atualizando a sua classificação botânica. De acordo com a autora, foi comprovada a necessidade desse estudo devido ao grande número de nomes vulgares que definem espécies diferentes de plantas, o que induziria ao erro e provável problema no uso de medicamentos com tais espécies.

Exemplos disso são a “erva de passarinho” que designa duas espécies diferentes, assim como o “elixir paregórico”, e a “alfavaca” que abrange pelo menos três espécies. Além dessas, também são descritas na publicação espécies como as pimentas de macaco e do reino, o cipó d’alho e o alecrim, entre muitas outras.

Elaboração - “A idéia [do livro] era disponibilizar a todas as pessoas interessadas, seja do ponto de vista cultural, preservacionista, comercial ou industrial, uma contribuição útil e precisa dos nossos recursos, tão cantados e debatidos, às vezes de modo superficial e equivocado”, explica Elisabeth van den Berg no prefácio desta terceira edição.

Segundo a ex-diretora do Museu Goeldi Ima Vieira, que assina a apresentação desta edição, desde a sua primeira edição em 1982, o livro é referência para estudiosos, professores, estudantes e a sociedade civil em geral. “Tenho a convicção que esta obra clássica ficará para a história da produção científica brasileira, e estimulará a realização de outros estudos desse gênero”, afirma Vieira.

O material estudado durante a elaboração da pesquisa que gerou a publicação, em sua maior parte, é oriunda da coleção viva da autora, de coletas realizadas em feiras, a exemplo da Feira do Ver o Peso em Belém (PA), ou em outros estados da Amazônia Legal. Esse material está depositado nos herbários do Museu Goeldi e da Embrapa Amazônia Oriental. A publicação foi ilustrada por Carlos Alvarez e a foto da capa é de Maria Lúcia Morais.

Serviço: O lançamento do livro "Plantas medicinais na Amazônia" acontece no dia 31 de agosto, às 17h, no estande do Museu Emílio Goeldi durante a XIV Feira do Livro de Belém.

 


(Envolverde/Museu Emílio Goeldi)
 
Evento cobra mais esforços de preservação PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rede Ambiental   
Sáb, 28 de Agosto de 2010 08:53
Evento cobra mais esforços de preservação

Por Bruno Meirelles, do PNUD

Governo, grupos privados, organizações independentes e acadêmicos analisam desafios para o meio ambiente na sede do PNUD em Brasília.

Os esforços brasileiros em preservação da biodiversidade são insuficientes, e as iniciativas capazes de gerar emprego e renda no setor necessitam de apoio para serem expandidas. Esses são alguns dos pontos levantados por representantes do governo, de organizações sem fins lucrativos, da iniciativa privada e do meio acadêmico, que se reuniram em 23 e 24 de agosto, no escritório do PNUD em Brasília.

O objetivo do encontro foi analisar os resultados de uma consulta pública que servirá de subsídio para um documento a ser apresentado no 10º Encontro da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Nagoia, Japão, entre 18 e 29 de outubro.

Durante o evento em Brasília, foram discutidas as 165 respostas dadas a um questionário online para reforçar projetos bem-sucedidos de conservação da biodiversidade brasileira. As questões estavam organizadas em três temas principais (políticas públicas, áreas estratégicas e sugestões), que serviram de base para o debate.

Entre as sugestões de ações que podem ser adotadas para a conservação da biodiversidade está a elaboração de um Programa Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais. A iniciativa beneficiaria populações tradicionalmente dependentes da exploração dos recursos naturais, tendo um componente de geração e transferência de renda importante para donos de pequenas propriedades.

"A ideia de dar um incentivo financeiro para não se degradar uma área ambiental foi citada por vários participantes. Assim, a comunidade ou o proprietário da área receberiam uma renda para conservar um recurso natural, em vez de explorá-lo comercialmente", diz Rodrigo Medeiros, biólogo-consultor do PNUD e um dos organizadores da consulta pública e do debate.

Mais de 50 iniciativas

Na área de políticas públicas, a iniciativa que recebeu maior destaque entre as 54 citadas foi o Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA), mantido pelo Ministério do Meio Ambiente. O projeto já apoiou 194 ações que promovem o desenvolvimento sustentável, como, por exemplo, um programa piloto de turismo na região do Parque Nacional da Restinga da Jurubatiba, no Rio de Janeiro.

O programa Área de Proteção Ambiental (APA) também foi citado por obter sucesso em ampliar as áreas de preservação, criando reservas, parques e aumentando a fiscalização.

"Nosso desafio é mostrar que conservação e desenvolvimento não são termos excludentes. A floresta é mais produtiva em pé do que devastada, já que na sua exploração é possível retirar madeira certificada, alimentos, sementes para enfeites e para criação de produtos de beleza, materiais usados para medicina, pesquisa, proteção da população local e exploração turística ecológica", completa o biólogo.

Uma experiência de sucesso sob essa concepção é a pesca de pirarucus em áreas protegidas na Amazônia. Estudos demonstraram que, com a implantação de técnicas de manejo sustentável para substituir a caça predatória, a renda obtida pelos pescadores de uma área da reserva com pesca do pirarucu passou de R$ 10,8 mil em 1999 para R$ 162,5 mil em 2005.

"A partir dessas experiências, podem ser estimuladas novas políticas públicas que contribuam para a difusão e incorporação de estratégias semelhantes por outras comunidades, organizações e instituições governamentais", conclui Medeiros.

 


(Envolverde/PNUD Brasil)
 
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